

Dr Thiago Cosentine, médico ortopedista especialista em tratamento da dor, pós graduado em Medicina do Exercício e do Esporte com mais de 10 anos de experiência.
A dor crônica nas articulações, tendões e ligamentos é uma das principais causas de limitação em pessoas ativas. Quando o tratamento convencional — como fisioterapia, medicamentos ou infiltrações — não traz alívio duradouro, é natural buscar alternativas seguras e minimamente invasivas.
Entre essas opções estão a Proloterapia e a Neuroproloterapia, terapias que estimulam a regeneração tecidual e o controle da dor de forma natural, sem cirurgia.
O que é a Proloterapia?
A Proloterapia (ou terapia proliferativa) é um tratamento injetável que utiliza substâncias estimulantes — geralmente dextrose diluída — aplicadas em pontos específicos de dor ou fraqueza ligamentar e tendínea.
Essas aplicações provocam uma leve reação inflamatória local, controlada e segura, que estimula o corpo a reparar e fortalecer os tecidos.
Objetivos da Proloterapia:
- Melhorar a estabilidade articular, fortalecendo ligamentos e tendões.
- Reduzir a dor crônica, especialmente em articulações sobrecarregadas.
- Estimular o processo natural de regeneração e cicatrização.
Indicações mais comuns:
- Artrose leve ou moderada.
- Tendinites e entesopatias (como tendinite patelar ou do ombro).
- Lesões ligamentares crônicas, como entorse de tornozelo recorrente.
- Dor lombar causada por instabilidade ligamentar.
- Síndromes de sobrecarga em corredores e atletas.
Como é feita a aplicação:
- Realizada em consultório médico, guiada por ultrassom.
- A substância é aplicada diretamente no ponto de dor, inserção do ligamento, tendões e músculos.
- Pode ser repetida em intervalos de 2 a 6 semanas, conforme a resposta clínica.
O paciente geralmente retorna às atividades leves no mesmo dia, e o resultado é progressivo — o alívio da dor tende a surgir ao longo das semanas, conforme o tecido se fortalece.
O que é a Neuroproloterapia?
Também chamada de Terapia Perineural, é uma variação para nervos.
Em vez de atuar diretamente nos ligamentos ou tendões, ela é aplicada ao redor de nervos sensitivos superficiais — especialmente aqueles que se tornaram hipersensíveis após inflamações, traumas ou cirurgias.
Objetivo:
Reduzir a sensibilização neural e restaurar o equilíbrio da condução nervosa, promovendo alívio da dor e melhora da função.
Como funciona:
- Utiliza uma solução de glicose a baixa concentração.
- Essa solução modula a atividade dos nervos periféricos, reduzindo a liberação de substâncias inflamatórias e a percepção de dor.
- O efeito pode ser quase imediato em alguns pacientes, e mais duradouro com aplicações sequenciais.
Principais indicações:
- Dor neuropática (como dor pós-cirúrgica ou compressiva).
- Síndrome miofascial e dor irradiada em membros.
- Ciatalgia, neuralgia occipital e dor crônica no ombro.
- Casos em que o paciente sente dor, mas os exames de imagem mostram estruturas preservadas.
Diferenças entre as Terapias
As duas terapias podem ser complementares — em alguns casos, o médico associa ambas, tratando tanto a estrutura lesionada quanto o nervo sensibilizado.
Benefícios das Terapias Regenerativas
- Tratamentos minimamente invasivos e seguros.
- Sem necessidade de hospitalização ou afastamento prolongado.
- Podem reduzir o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.
- Favorecem recuperação funcional e melhora da mobilidade.
- Indicadas para pacientes ativos, que desejam evitar cirurgias.
- Leia mais sobre PRP e BMA
Cuidados e Contraindicações
Apesar de seguras, as aplicações devem ser feitas apenas por médicos capacitados, com técnica estéril e avaliação individualizada.
Contraindicações:
- Infecção ativa no local da aplicação.
- Uso de anticoagulantes sem controle médico.
- Doenças autoimunes descompensadas.
- Diabetes mal controlado (no caso de uso de glicose).
O que mostram os estudos
Pesquisas recentes têm demonstrado resultados positivos no uso da proloterapia e neuroproloterapia:
- Reeves et al., 2016 (Pain Medicine Journal): melhora funcional e redução da dor em artrose leve de joelho após 3 sessões de proloterapia.
- Rabago et al., 2018 (Clinical Rehabilitation): pacientes tratados com proloterapia apresentaram melhora significativa na estabilidade articular e qualidade de vida.
- Lyftogt, 2015 (Journal of Prolotherapy): redução da dor neuropática e melhora da sensibilidade tátil após aplicações de neuroproloterapia em nervos periféricos.
- Kim et al., 2021 (Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation): evidências crescentes apoiam o uso combinado das duas técnicas em dor musculoesquelética crônica.
Para quem pratica esportes
A proloterapia e a neuroproloterapia têm ganhado espaço entre atletas e praticantes de atividade física que sofrem com tendinites recorrentes, instabilidades ou dores residuais após lesões.
Esses tratamentos podem ajudar a:
- Acelerar a recuperação de estruturas lesionadas.
- Evitar recaídas em pontos de sobrecarga.
- Reduzir o tempo fora do treino, com retorno gradual e seguro.
Agende sua avaliação
Se você sofre com dor persistente nas articulações, tendões ou nervos periféricos, e já tentou outras abordagens sem sucesso, a proloterapia e a neuroproloterapia podem ser opções seguras e eficazes.
Agende uma consulta com um ortopedista especializado em terapias regenerativas e descubra se esse tratamento é indicado para o seu caso.
Referências e Leitura Complementar
- Rabago D., et al. Prolotherapy in musculoskeletal pain management: A systematic review. Pain Medicine, 2016. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26912584/
- Lyftogt J. Subcutaneous prolotherapy (neural prolotherapy) for chronic pain. Journal of Prolotherapy, 2015. https://journalofprolotherapy.com/subcutaneous-prolotherapy/
- Kim S., et al. The effectiveness of prolotherapy for chronic musculoskeletal pain: A meta-analysis. J Back Musculoskelet Rehabil, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33896768/
- Reeves K., et al. Dextrose prolotherapy for osteoarthritis of the knee: A randomized controlled trial. Clin Rehabil, 2018. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29353537/